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Crédito do BNDES tem alta de 247,8%



O BNDES vinha nos últimos anos reduzindo seu tamanho e sua importância relativa no mercado de crédito brasileiro.

No fim de 2015 o saldo das operações de crédito do BNDES somava R$ 633,4 bilhões, no fim de 2019 o valor já estava em R$ 382,4 bilhões.

Este processo de “encolhimento” do BNDES ocorreu em meio aos esforços dos últimos governos para fomentar o crédito privado de longo prazo, através do mercado de capitais ou mesmo dos financiamentos convencionais, via bancos.

Devido à crise provocada pelo novo coronavírus, e como os bancos ainda não estavam seguros para liberar mais crédito, o BNDES teve que ampliar seu papel, voltando a liberar mais crédito nos últimos meses, com foco nas pequenas e médias empresas, conforme informação do próprio banco.

Dados do Banco Central mostram que, apenas no segundo trimestre deste ano, o banco de fomento concedeu R$ 17,2 bilhões de crédito a empresas de todos os portes.

O montante é 247,8% maior que o verificado no primeiro trimestre do ano, quando o surto de covid-19 ainda não havia se intensificado.

Apenas nas linhas de capital de giro, o avanço foi de 4.040,5%. Lembramos que o foco  do BNDES não é oferecer capital de giro, mas sim  estimular os investimentos.

Em uma das principais linhas – a do Programa Emergencial de Acesso ao Crédito (Peac) – o Tesouro Nacional fez aportes para viabilizar operações do BNDES, mas a dinâmica é diferente da vista no passado.

Voltado para empresas com receita bruta anual entre R$ 360 mil e R$ 300 milhões, a linha de crédito emergencial prevê que a União vai aumentar em até R$ 20 bilhões sua participação no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), gerido pelo BNDES, para a cobertura das operações de crédito contratadas pelas empresas.

A visão é de que a pandemia acabou por acelerar uma série de ações que já estavam no escopo da instituição, em especial as voltadas para empresas de menor porte. A expectativa é de que os programas possam continuar, mesmo que o Tesouro não promova mais aportes.

O BNDES tem sua própria fonte de recursos, formada basicamente pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e pelo pagamento de empréstimos já concedidos. Além disso, o banco de fomento pode captar recursos no mercado.

O governo precisará voltar a discutir o papel do BNDES após a pandemia, pois o cenário econômico e de investimentos das empresas serão outros.

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